Ouvindo o silêncio
Tereza Cristina
Andei pensando: como o mundo
faz tanto barulho! Há uma explosão de
dores, de gemidos. São tantos gritos que se confundem com emoções e rasgam a
paz entre os homens. É que simultaneamente todos falam.
Gosto da ideia do silêncio... Ela é sempre
criativa. Mas, da ideia do silêncio que
permite ouvir a voz interior. No mais, calar é transgredir a natureza.
Impossível Para o Ser humano. Sua expressão é condição de linguagem. Evitar é a
pior forma de fingimento. É anular o pensamento e sufocar o sentimento.
O sentimento nasce da alma e não
consegue emudecer. Fala tão alto que transborda
pela face no sorriso amarelo, no olhar distante, na fisionomia inerte... Então,
fala pelos poros... No calar se diz tudo. Mas só os sábios conseguem ouvir.
É prudente ficar em silêncio
sobre coisas vãs... Nesse caso, é
necessário. Buscar o silêncio. Ouvir sua voz com muita atenção. Aprender com
ela.
Às vezes, há tanto a se ouvir
que nem o silêncio dá conta. E por causa do barulho do mundo se quebra o
silêncio da alma. Porque quebra o silêncio nasce o vazio... Nele ninguém se entende nem entende o
outro. E a vida se confunde com a morte.
Ouvir o silêncio da alma não é ficar em silêncio; é penetrar no
horizonte ainda estando aqui, é encontrar o que se imagina perdido e refazer a
própria vida para que ela não seja confundida com a morte.
Fala
sim!
Tereza Cristina
Dizem
que o silêncio não fala.
Fala
sim!
E
de todas as palavras que já ouvi
Nenhuma
me ensinou tanto.
Talvez
você não queira ler
O
silêncio que escrevi.
Mas
sabe disso:
Fala
sim!
Talvez
você não queira o meu silêncio.
Ele
é seu barulho
E
lhe impede dormir.
Talvez
não queira sonhar
Acordado
não pode ouvir.
No
sonho alcanço
O
que acordada
Seu
barulho me atrapalha.
Silêncio,
Deixe-me
Que
eu vou viver...
(in: Vida-Lida)


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