quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Ouvindo o silêncio




Ouvindo o silêncio
Tereza Cristina

Andei pensando: como o mundo faz tanto barulho!  Há uma explosão de dores, de gemidos. São tantos gritos que se confundem com emoções e rasgam a paz entre os homens. É que simultaneamente todos falam. 
 Gosto da ideia do silêncio... Ela é sempre criativa.  Mas, da ideia do silêncio que permite ouvir a voz interior. No mais, calar é transgredir a natureza. Impossível Para o Ser humano. Sua expressão é condição de linguagem. Evitar é a pior forma de fingimento. É anular o pensamento e sufocar o sentimento.
O sentimento nasce da alma e não consegue emudecer.  Fala tão alto que transborda pela face no sorriso amarelo, no olhar distante, na fisionomia inerte... Então, fala pelos poros... No calar se diz tudo. Mas só os sábios conseguem ouvir.
É prudente ficar em silêncio sobre coisas vãs...  Nesse caso, é necessário. Buscar o silêncio. Ouvir sua voz com muita atenção. Aprender com ela.
Às vezes, há tanto a se ouvir que nem o silêncio dá conta. E por causa do barulho do mundo se quebra o silêncio da alma. Porque quebra o silêncio nasce o vazio... Nele ninguém se entende nem entende o outro. E a vida se confunde com a morte.
Ouvir o silêncio da alma não é ficar em silêncio; é penetrar no horizonte ainda estando aqui, é encontrar o que se imagina perdido e refazer a própria vida para que ela não seja confundida com a morte.


  Fala sim!

Tereza Cristina
Dizem que o silêncio não fala.
Fala sim!
E de todas as palavras que já ouvi
Nenhuma me ensinou tanto.

Talvez você não queira ler
O silêncio que escrevi.

Mas sabe disso:
Fala sim!

Talvez você não queira o meu silêncio.
Ele é seu barulho
E lhe impede dormir.

Talvez não queira sonhar
Acordado não pode ouvir.

No sonho alcanço
O que acordada
Seu barulho me atrapalha.

Silêncio,
Deixe-me
Que eu vou viver...


 (in: Vida-Lida)

 

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